Nana Caymmi: Brazil’s Lady of Song

Brazil’s musical legend, Nana Caymmi is a national treasure.  For those in the know, her torch songs set hearts ablaze.  For the rest of you, here’s a chance to discover a true diva…

What makes a musical legend? Is it that first time you hear a song and are so captivated, you rush to get everything they’ve ever recorded? Is it the respect and adulation they get from others in their own field – like a Sinatra or a Streisand – who make fans even out of other recording artists that have millions of their own fans? Or is it their unique style, so inimitable and enduring, that others can try but never replace?

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When it comes to Brazilian recording artist, Nana Caymmi, daughter of one of Bossa Nova’s singer-songwriter legends, Dorival Caymmi, all of these considerations ring true. The Rio-born singer, deservedly recognized today as the Dama da Cancao (Lady of Song), has the voice of honeyed whisky laced with the sting of a broken heart. The pain comes from experience. Long overlooked by Brazilians, Nana found success outside of Brazil in South America. Although she first recorded in 1965 on her father’s album and released several albums in the 80’s, it wasn’t until 1990 that she scored the first of her many gold albums, Bolero and later went on to to be named the Best Female Singer of the Year by the APCA. More than 40 albums later, Nana has not just won hard-earned acclaim, she has carved her place in the pantheon of musical gods.

Today, Nana’s style remains as uncompromising as it is consistent, uniquely able to unleash emotions that only someone that has known pain intimately can do. Listen to the intoxicating pain in one of her earlier recordings like Atras da Porta or Eu Te Amo or the seductive invitation in the more recent, Vinho Guardado, and you will understand masochistic pleasure as you will melancholic hope. Nana doesn’t sing. She acts. The phrasing of each lyric carries the full weight of its meaning, the undulation of her melodies opens wounds. At times, this power has been the very thing that has made listeners resistant, especially the younger Brazilian generation which has been seduced by Western pop and prefers upbeat, escapist music instead of the melancholy, romantic sound of Bossa Nova.

But Nana remains steadfast. In an intimate interview, she confessed to how personal tragedies have fueled her musical choices so that she revels in unleashing the poignancy of her melodies like a trigger happy soldier. Go find happy somewhere else. Nana wants you to remember, to relive, and in doing so, perhaps find reconciliation with the pain. Sad, earthy, rich, powerful, melodious – such adjectives can’t do justice to her powers of expression and interpretation. Suffice to say that even in the oversaturated field of classic song renditions, Nana effortlessly puts her stamp on a song whether it’s Roberto Carlos’ Nao Se Esqueca de Mim or Joao Bosco’s Falso Brilhante.

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Musical favorites like Maria Bethania (L) also find inspiration in Nana Caymmi.

In person, this larger-than-life diva who sells out concerts and is acknowledged by pop stars like Fafa de Belem and Maria Bethania as an inspiration, is warm and nurturing. She has that devilish twinkle in her eyes, swoons at the thought of Sinatra and can hold down with expletives like the toughest of men. She is a woman full of life and gusto. Ultimately, the delayed success and the tragedies haven’t vanquished Nana Caymmi. She has used them as a kind of yarn, spinning pain and experience into a tapestry of immortal songs. And this why, in popular opinion, Nana Caymmi isn’t just a Dama, but the Deusa (goddess) of song.

Nana Caymmi’s music can be sampled and heard on iTunes: https://itunes.apple.com/us/artist/nana-caymmi/id18604962

— Ghalib Dhalla.

(Translation in Brazilian Portuguese, courtesy of Rosane Grimberg)

O que faz nascer uma lenda musical? A primeira vez que você ouve uma música e fica tão fascinado, que corre para conseguir tudo o que já foi gravado por esse artista? O respeito e bajulação que ele recebe do próprio meio musical – como um Frank Sinatra ou uma Barbra Streisand – que tornam seus fãs outros artistas que já possuem milhares de fãs? Ou é o seu estilo único, tão inimitável e eterno, que apesar de outros tentarem, nunca poderão substituí-lo?

Quando se trata da cantora brasileira Nana Caymmi, filha do cantor/compositor Dorival Caymmi (uma das lendas da Bossa Nova), todas estas hipóteses são verdadeiras. A cantora carioca, merecidamente reconhecida hoje como a “Dama da Canção”, tem a voz de whisky com mel, misturada à dor de um coração partido. Essa dor vem da experiência. Por muito tempo esquecida pelos brasileiros, Nana encontrou o sucesso no resto da América do Sul. Embora tenha gravado pela primeira vez em 1965 (no disco de seu pai) e lançado vários discos na década de 80, é no ano de 1990 que ela recebe o primeiro de muitos de seus discos de ouro, “Bolero”, e mais tarde ganha o título de “Melhor Cantora do Ano” pela APCA. Depois de mais de 40 álbuns gravados, além de um merecido reconhecimento, Nana conquistou seu lugar no Olimpo dos Deuses musicais.

Hoje, o estilo de Nana continua descomprometido e consistente, tendo uma capacidade única de fazer liberar emoções que só alguém íntimo da dor conseguiria. Ao ouvir suas gravações mais antigas, como “Atrás da Porta” ou “Eu Te Amo”, ou o apelo sedutor da mais recente “Vinho Guardado”, você entenderá tanto a dor do prazer masoquista quanto a dor da esperança melancólica. A Nana não canta, ela vive sua música. Cada frase, de cada letra de música, carrega todo o peso de seu significado. A ondulação de suas melodias abre feridas. Muitas vezes, é esse mesmo poder de emoção que afasta ouvintes, especialmente os brasileiros mais jovens, seduzidos pelo pop ocidental, que preferem o escapismo de músicas mais animadas em vez do som melancólico e romântico da Bossa Nova.

Mas Nana continua firme. Em uma entrevista intimista, ela confessou que tragédias pessoais influenciaram suas escolhas musicais, e que, como um soldado que aperta o gatilho e acerta no alvo, tem prazer em causar comoção com suas melodias. A felicidade não faz parte de seu repertório. A Nana quer que você se lembre, reviva sua dor, e ao fazê-lo, talvez, encontre paz. Adjetivos como “triste”, “simples”, “intensa”, “poderosa”, “melódica”, não são suficientes para descrever sua força de expressão e interpretação. Basta dizer que ela tem a facilidade de deixar sua marca em até mesmo clássicos da MPB, como “Não se Esqueça de Mim”, de Roberto Carlos, ou “Falso Brilhante”, de João Bosco.

Ao vivo, esta poderosa deusa que lota casas de show, reconhecida como uma inspiração por Fafá de Belém e Maria Bethânia, é amável e carinhosa. Nana tem aquele brilho provocante no olhar, que se torna sonhador quando pensa em Sinatra, mas sabe falar palavrões como o mais forte dos homens. Ela é uma mulher cheia de vida e entusiasmo. Em última análise, seu sucesso tardio e suas tragédias não a derrotaram, e sim formaram uma espécie de fio, entrelaçando a dor e a experiência em uma tapeçaria de canções imortais. E é por isso que, na opinião popular, Nana Caymmi não é apenas uma “Dama”, mas a “Deusa da Canção”.

– Ghalib Shiraz Dhalla / Rosane Grimberg